Javascript is not enabled

Ações disponíveis

Acções disponíveis ao leitor

Partilhar
 

Salvato Feijó

Detalhes do registo

Nível de descrição

Fundo Fundo

Código de referência

PT/MPTL/SF

Tipo de título

Atribuído

Datas de produção

1925 A data é incerta a 1950 A data é incerta

Dimensão e suporte

7 u.i.; papel

Extensões

5 Capilhas
2 Livros

Entidade detentora

Município de Ponte de Lima

Produtor

Salvato Feijó

História administrativa/biográfica/familiar

Em 14 de julho de 1878, nascia em Ponte de Lima, Salvato de Meneses de Castro Feijó, poeta e dramaturgo, oriundo de uma família fidalga que tinha as suas raízes na Galiza e o túmulo de um ascendente, "grão caçador e monteiro", no Convento de Celanova, ao rés do rio Minho. Era sobrinho, pelo lado paterno, do grande poeta parnasiano António Feijó, também este natural da histórica vila limiana.

Graças às diligências do tio, junto à influência do seu amigo, poeta e romancista, Luís de Magalhães, então Ministro do Reino, Salvato ocupou o cargo de aspirante de Alfândega em Viana do Castelo, chegando ao posto de sub-inspector, quando foi demitido por participar na revolução de 3 de fevereiro de 1927, contra a ditadura militar implantada no ano anterior.

Segundo uma nota biográfica confidencial, em meu poder, do seu conterrâneo, o contista e historiador Júlio de Lemos, dirigida ao poeta Carlos de Lemos, Salvato Feijó esteve "na cadeia por três ou quatro vezes - mas longos meses - por adversário da ditadura".

Após a sua demissão foi, até à morte, em 18 de abril de 1959, gerente da Empresa Cinematográfica Vianense, Lda, exploradora do Teatro Sá de Miranda. Tinha, aí, o gabinete privado, onde escreveu as suas obras dramatúrgicas e a sua poesia, quer lírica, quer satírica, ou destinada às coplas das revistas-do-ano, compostas ao violino, tocado com alguma mestria. Usou o pseudónimo "Salvareno", para assinar as suas peças.

O primeiro texto teatral, de que se conhecem algumas cenas, data de 1902 e intitula-se "D. Baganha e Areosa", escrito em verso, para uma récita particular, em que o autor foi intérprete, possivelmente inspirado no "D. Beltrão de Figueiroa", de Júlio Dantas, ou, até, em "O Fidalgo Aprendiz", de D. Francisco Manuel de Melo. Todavia, parece que Salvato se estreou, no género, com "A Cigarreira", dois atos em verso, escita no Café Gelo lisboeta, numa única noite, por aposta entre estudantes, precisamente na mesa em que Buíça e Costa combinaram o regicídio. Desconhece-se-lhe o original, como o de "Círculos Errados", "que se lhe seguiu" (Júlio de Lemos), espécie de opereta, a iniciar a carreira de teatro musical de Salvareno.

Todavia, a sua primeira peça editada é o monólogo satírico "O Pires de Aguardente" (1903), de colaboração com José de Matos, a evocar o "Auto da Rainha Cláudia", de Júlio Dantas, bem como "A Ceia dos Cardeais", do mesmo autor. É, ainda, sob a égide de Dantas, que Salvato Feijó leva à cena e publica, em 1908, o ato em verso "Um Velho Conto", 'lever-de-rideau' baseado num pequeno conto do escritor francês Catuto Mendés.

Só em 1923, o dramaturgo se liberta do estilo afetado do criador de "A Severa" e descobre a simplicidade lírica, a clareza e a moralidade de Mestre Gil, escrevendo a sua obra-prima, "A Feiticeira da Fraga", auto pastoril editado postumamente. Em 1925, prossegue idêntico percurso estético, com "Auto da Mentira", ainda mais arreigado aos 'aitos' vicentinos.

Entretanto, ia divulgando, em palco, as suas revistas de costumes locais, que ele próprio encenava - "Ai, que me Trilhas?..." (1905); "Quem vai Nisto?" (1914), de colaboração com o seu concunhado José Couto Viana (Sandy) e com o jornalista Fernando Brandão; "Vai...na Fita" (1915); "Meninas, da nossa Barra!..." (1934) e "Aí vai disto..." (1939). Deixou, inédito, o auto pastoril em verso "O Canistrel".

A sua poesia andou esparsa por revistas e jornais, ou oculta nas gavetas da sua banca de trabalho, Só por 1990, o filho mais velho do escritor, José Lopo Freijó, decidiu reuni-la, deixando ao autor destas linhas a grata tarefa de a selecionar e prefaciar, encarregando-se a Câmara Municipal de Viana do Castelo de a dar à estampa, em 1992.

Trata-se de uma poesia elegantena forma e nos termos de galanteio amoroso e gentileza palaciana, repassada de aguda ironia e doce malícia, bem como de uma sensualidade discreta, sugerindo a inspiração do cantor das "Bailatas", ainda que lhe falte a densidade de alma de António Feijó.

Mas, quanto nos deixou do seu talento poético, é suficiente para o julgarmos um dos mais lídimos poetas da Ribeira-Lima.

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Documentos adquiridos em dezembro de 2013.

Sistema de organização

Organizado por séries e ordenado cronologicamente dentro das mesmas.

Condições de acesso

Comunicável, sem restrições legais.

Condições de reprodução

A reprodução de documentos encontra-se sujeita a algumas restrições tendo em conta o tipo dos documentos, o seu estado de conservação, o fim a que se destina a reprodução

Instrumentos de pesquisa

Disponível no Sítio Web e no Portal Português de Arquivos.

Notas de publicação

VIANA, António Manuel Couto - Salvato Feijó [Salvareno]. In ABREU, João Gomes de, coord. - Figuras Limianas. Ponte de Lima: Município de Ponte de Lima, 2008. ISBN 978-972-8846-15-2. p. 316-317.

Notas

Documentos adquiridos em dezembro de 2013 ao alfarrabista Rafael Capela (Vila Praia de Âncora).